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» Providencia Cautelar - Hospital do Barreiro

 

Os familiares, esposo e filha de Helena Casanova assim que souberam que a doente iria ter alta médica desde logo batalharam para encontrar outro local que oferecesse as condições necessárias para o internamento da sua familiar, apelando a várias entidades e pedindo novos pareceres a especialistas na área de neurologia:



Em 24 de Abril de 2001, numa reunião da Câmara Municipal do Barreiro realizada na Biblioteca Municipal do Barreiro que teve início às 10:30 o requerido António Casanova, acompanhado pela sua filha, fez uma intervenção expondo, ao então presidente Pedro Alberto Canário, a situação clínica da sua esposa e a para breve alta clínica, no âmbito de saber se a Piscina Municipal (local onde se deu o afogamento) teria seguro que pudesse cobrir as despesas de um internamento numa clínica pois não existiam quaisquer condições para tratar da esposa em casa. Da parte da Câmara não obtivemos respostas positivas e para que se aprovassem responsabilidades instauramos um processo contra a Câmara do Barreiro.



Em 8 de Maio de 2001 o requerido, acompanhado da sua filha e de um amigo da família, Sr. Augusto, foi até aos Hospitais da CUF e da Cruz Vermelha pedir informações para um possível internamento. Não existiam vagas, as que existiam destinavam-se a internamentos curtos e os valores de diária não poderiam ser comportados pelo requerido que a seu cargo tinha todas as despesas familiares, as acrescidas com a situação actual da esposa, bem como uma filha, então, estudante universitária e sem rendimentos mensais. No Hospital de Alcoitão foi-nos dito que não aceitavam doentes com tamanha dependência.



Em 27 de Junho de 2001 o requerido, acompanhado da sua filha, reuniu-se com a Drª Teresa da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro para fazer uma inscrição para a esposa, a pedido da Assistente Social do H.N.S.R., e onde lhe foi dito que a instituição não reunia condições para receber uma doente com tal patologia. Face à inexistência de um Hospital de Retaguarda, o H.N.S.R. era o melhor sítio para a doente. Posteriormente. Esta informação foi divulgada e confirmada pelo Sr. Provedor da Santa Casa da Misericórdia em declarações ao canal televisivo TVI em 30 de Agosto de 2001.

Face a tais declarações digam-nos qual seria o marido, qual seria a filha que ame e respeite a sua ente, agora totalmente dependente de terceiros, que concordasse em retirá-la do único sítio que, mesmo inapropriado, era o mais viável e o que nos oferecia assistência continua e permanente quer por enfermeiros quer por médicos?! Se “existem várias instituições vocacionadas para este tipo de doentes” então porque não foram propostas? Onde se localizam? Sim, porque a Stª Casa da Misericórdia foi o único local sugerido e imposto pelo Hospital.

O Hospital Nossa Senhora do Rosário nunca se sensibilizou com o drama familiar e social desta família. O facto deste esposo e desta filha verem agora a sua amada e querida esposa/mãe nesta condição. O desamparo, as dúvidas, os receios e a angústia que toda a situação acarretava nunca foi motivo para que, da parte de profissionais, surgisse uma voz de consolo. Foi negado apoio psicológico pedido pelo requerido António Casanova para a sua filha que, por cansaço físico e psicológico, desistiu do seu futuro académico, e para poder estar junto da sua mãe.

Na altura mais delicada das nossas vidas, o papel do H.N.S.R. foi o de martirizar e pressionar. Só com a nossa força interior conseguimos “ultrapassar” a dor diária que ninguém entende, ninguém compreende.



Em 21 de Maio de 2001 o requerido e a sua filha bem como o seu advogado de então, Sr. Dr. Américo Gegaloto, reuniram-se com membros do Partido Socialista do Barreiro. Em 3 de Outubro de 2001 reuniram-se com membros do Partido Comunista do Barreiro sempre na ânsia de uma proposta ou qualquer ajuda para solucionar a situação.



O requerido e a sua filha recorreram aos meios de comunicação social, nomeadamente a estações televisivas como a TVI em 30 de Agosto de 2001, Canal 1 em 1 de Setembro de 2001, SIC 10 h com Fátima Lopes em 20 de Setembro de 2001, a jornais como o Jornal Notícias do Barreiro em 26 de Abril de 2001,e Jornal O Público em 11 de Setembro de 2001, sempre na ânsia que alguém viesse em seu auxílio.



Por várias vezes, os requeridos solicitaram aos médicos responsáveis, nomeadamente ao Dr. Mário Brito e à Drª Paula Farelo, os exames realizados à Dª Helena Casanova para que fossem analisados por outros colegas, na esperança de obter outros pareceres de possível tratamento. A sua facultação foi-nos desde logo negada:

Em 15 de Outubro de 2001 o requerido António Casanova dirigiu-se ao Serviço de Medicina Interna I e perguntou ao Dr. Mário Brito se podia levar os exames por alguns dias e em resposta este disse que “se outro colega os quiser ver, que escreva uma carta a pedi-los”.

Em 31 de Outubro de 2001 o requerido, recomendado pelo Prof. Dr. Lobo Antunes (aquando de mais uma tentativa do requerido para obter outro parecer médico se dirigiu ao H. da CUF e este lhe disse que para o caso da doente a especialidade mais indicada seria a neurologia e não a sua, de neuro-cirurgia) foi “consultado” pela Drª Teresa Pinho e Melo que escreveu uma carta pedindo os exames aos seus colegas. Em 4 de Novembro de 2001 o requerido tentou entregar a carta à Drª Paula Farelo que não quis aceitar a carta nem muito menos abri-la afirmando que “os exames acompanham sempre a doente” e que “se a colega quer ver, que a leve e faça ela os exames.”



Os familiares criaram ainda uma página na Internet de apelo/pedido de ajuda que têm vindo a enviar e a transmitir a todos seus contactos (http://apelar.no.sapo.pt).

Os requeridos enviaram via e-mail e via fax um pedido de ajuda dirigido ao Sr. Américo Gonçalves da Silva, representante oficial do CIREN em Portugal (Centro Internacional de Restauração Neurológica) sem que obtivessem resposta.



Perguntamo-vos Excelentíssimos Senhores Juízes de Direito, Excelentíssimos Senhores Doutores Advogados, caros cidadãos, esposo/as e filho/as:

- Se isto é recusar “aceitar outra situação que não fosse a sua manutenção nas instalações do Hospital”, se isto é “recusar acatar as consequências da alta clínica…ilegitimamente”, então o que é lutar para poder oferecer as melhores condições e minimizar a dor e sofrimento da mulher que amamos?!


Centenas de pessoas passaram pela enfermaria 4 e por todo o serviço de Medicina I, desde doentes a familiares, que connosco partilharam/partilham o sofrimento, as lágrimas e a angústia. Não houve uma única pessoa que não admirasse a nossa coragem e o nosso amor pela Dª Helena Casanova e que não compreendesse, tolerasse, ou se sentisse incomodado com a nossa presença. Fizemos muitas amizades e existirão muitas vozes a nosso favor.


Nunca houve um único dia, desde o dia 21 de Março de 2001 que não estivesse presente junto da doente, um familiar mais próximo, desde marido, filha, irmã, pai e sogra. Sempre estivemos, estamos e estaremos presentes.


A última vez que alguém da direcção do H.N.S.R falou connosco foi no dia 06 de Setembro de 2001 quando o requerido António Casanova se dirigiu ao gabinete, do então director clínico, Dr. Eurico Garrido. Este último disse que tinha falado com “alguém” dos serviços sociais para disponibilizarem uma verba para que fosse a Segurança Social a pagar todas as despesas de internamento na Santa Casa da Misericórdia e que disponibilizava uma ambulância do Hospital para transportar a Dª Helena sempre que necessário. Desde essa data até ao dia de hoje, 18 de Maio de 2007, não houve uma única pessoa da direcção, do corpo médico, enfermeiros ou assistentes sociais que se dirigisse a um familiar da doente dando uma resposta a cerca da confirmação da tal verba a ser disponibilizada .A filha da doente, em conversa com a Dr.ª Laurinda Pereira sobre uma possível infecção respiratória, ouviu esta dizer: “mas a sua mãe é uma doente social”. O requerido António Casanova, em conversa com a Assistente social do H.N.S.R. de nome Rosário também ouviu esta referir-se à Dª Helena como sendo “a nossa doente social”. Tais afirmações levaram-nos a crer que seriam os serviços sociais que estavam a cobrir as despesas hospitalares até o processo judicial terminar.

Muito menos fomos notificados “várias vezes” para a necessidade de pagar fosse o que fosse. Recebemos apenas uma carta datada do dia 20 de Fevereiro de 2006 responsabilizando o meu pai pelo pagamento das despesas de internamento que até à data ascendia aos € 117.005,73.

De que forma se esgotaram “todas as vias de diálogo com os familiares da doente”se nunca mais houve alguém a dirigir-nos palavra?! Se existiram episódios lamentáveis em que os médicos chegaram a esconder-se do requerido para não ter que se cruzar com ele no corredor (episódio ocorrido em 3 de Setembro de 2001 com a Drª Paula Farelo e que o requerido reclamou ao então director clínico Dr. Eurico Garrido).


Nota:


Para finalizar, no início deste ano as partes (família da doente e a Câmara Municipal do Barreiro) iam tentar chegar a um acordo para que fossem então criadas todas as condições para o internamento da Dª Helena na Stª Casa da Misericórdia do Barreiro. À parte desse acordo ficava por resolver uma questão extremamente importante: uma carta que recebemos do H.N.S.R datada do dia 20 de Fevereiro de 2006 responsabilizando o meu pai pelo pagamento das despesas de internamento que até à data ascendia aos € 117.005,73. Preocupámo-nos em resolver esta questão junto do nosso advogado, Dr. João Camacho, que nos garantiu que esta era apenas uma forma do hospital nos pressionar e nada mais. Estávamos decididos a aceitar o acordo, mesmo não concordando com alguns dos pontos, nomeadamente o valor de indemnização € 25.000,00 ( tal quantia não dava para cobrir nem metade do valor em dívida com o H.),mas não tendo outra alternativa e como a nossa prioridade era o bem-estar da minha mãe..Porém, no dia em que iríamos entregar o acordo assinado, o nosso advogado deixou de estar contactável.

 

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